


Olhar Concreto
O desenho é que permite ao artista penetrar na intimidade do real, tocar-lhe o cerne, estripá-lo, reestruturá-lo, transformá-lo. E, além disso, saber desenhar é um modo de possuir a realidade, de poder inclusive inventar-lhe sucedâneos. O desenho estabelece a ligação entre o mundo objetivo e a imaginação, entre a realidade e o sonho. Entre o universo individual e o universo social.
Ferreira GULLAR
Vivenciar um desdobramento no plano do dia-a-dia. O desenho esta esticando a cidade. Pessoas inseridas no concreto nos questionam com seu olhar firme e ativo. O que é concreto? O que há de humano no chão?
Orientar-se a partir do solo. Sentir-se em plongée. Trazer a ambigüidade ao ato de olhar o chão, a base sólida, o companheiro do cotidiano, uns dos poucos elementos ainda firmes na cidade mutante.
“Entretanto o que surpreende é que a vista aérea faz surgir à questão da interpretação, da leitura ou pelo menos torna problema tão premente que somos obrigados a conscientizarmo - nos dele” .
É apenas um desenho, a representação do corpo humano em escorço e “a nossa principal marca identitária” esta posta em questão.
Para além dos limites do espaço geográfico o corpo se reconstrói ao infinito. Até onde ser humano?
É a realidade transformada em texto, é algo que precisa de decodificação. É um certo ... olhar concreto.
GULLAR, Ferreira. Argumentação contra a morte da arte. 8ed. Rio de Janeiro: Revan, 1993, p.121.
KRAUSS, Rosalind. O fotográfico. Editorial Gustavo Gili SA: Barcelona, 2002.
SANT´ANNA, Denise Bernuzzi de. Corpos de Passagem: ensaios sobre a subjetividade contemporânea. São Paulo: Estação Liberdade, 2001.